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    Um sonho de Natal. O futebol profissional à distância de um casting

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    henrike
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    Um sonho de Natal. O futebol profissional à distância de um casting

    Mensagem por henrike em Seg Dez 27 2010, 17:22

    O i inscreveu um jornalista num
    concurso para encontrar um jogador para o Trofense, uma espécie de
    "Ídolos" do futebol. Não ganhou, mas até foi longe. E voltou para contar
    a história.......................................... ....

    120 candidatos foram à Trofa prestar provas em busca do sonho de um contrato profissional

    Pedro chega ao campo de Paradela à hora marcada. Olha à sua volta e vê
    dezenas de jogadores que, como ele, vieram para tentar convencer o
    Trofense a contratá-los. Não tem aspecto de futebolista nem parece
    confiante. Antes de seguir para o balneário, pergunta ao pai: "Achas que
    passo da primeira fase?" A resposta é imediata: "Claro que sim." Mas no
    primeiro treino da manhã torna-se evidente que Pedro não vai longe.
    Falta-lhe quase tudo e até a forma como aquece o denuncia. Cá fora, o
    pai observa - conformado - o esforço do filho. Meia hora depois, quando o
    treino acaba, limita-se a dizer: "Deixa lá, fica para a próxima." E
    juntos vão embora.

    Era este o desfecho que esperava a maioria dos 120 jogadores que
    viajaram segunda-feira até à Trofa, na semana do Natal, em busca de um
    sonho. Mas nem todos ficam convencidos com a decisão. Quando chega a
    minha vez de calçar as chuteiras, ainda no balneário, ouço o desabafo de
    mais um dispensado. Não o conheço, mas é para mim que fala. "Bah, estes
    gajos não percebem nada disto! Vê lá, só me deram 15 minutos. Se dessem
    outros 15 iam ver." Encolho os ombros e sigo para o relvado. Depressa
    surge um obstáculo, assim que o "mister" José Carlos (antigo lateral
    direito de Benfica e V. Guimarães) começa a distribuir os coletes,
    verdes e vermelhos - duas das cores mais fatais para um daltónico como
    eu. E seguem onze jogadores para cada lado, num jogo disputado apenas em
    metade do campo.

    É difícil dar nas vistas com tantos jogadores num espaço tão pequeno.
    Muitos acabam mesmo por se destacar pelos piores motivos. Há os
    pseudo-Ronaldos (que tentam passar por tudo e todos mas que na verdade
    só se fintam a si mesmos), os pseudo-Xavis (que dominam a arte do passe
    tão bem quanto um elefante faz ballet) e os azarados (como o rapaz que
    chocou de cabeça comigo e passou mais de um minuto caído no relvado).
    Mas também há bons exemplos. Sandro Conceição tem 22 anos, é central na
    minha equipa e joga com classe. Minutos depois, ambos recebemos a boa
    notícia: estamos entre os seleccionados para a fase seguinte, o treino
    da tarde. Enquanto alongamos, chegamos à conclusão de que nos
    defrontámos enquanto ele jogava no Sporting. "Por acaso a tua cara não
    me era estranha", diz Sandro, que ainda passou pelas camadas jovens do
    Belenenses e do Estoril e pelos seniores do Atlético do Cacém.
    Entretanto mudou-se para o Porto e anda a ver se arranja clube pelo
    Norte. A passagem pela Academia de Alcochete é um bom cartão de visita,
    mas não garante nada.

    O primeiro treino foi curto e não fez muita mossa. Serviu para limpar a
    ferrugem acumulada no corpo ao longo dos últimos quatro anos. E abriu o
    apetite. Uma vez escolhidos os 35 jogadores que seguem em frente, os
    dirigentes do Trofense levam-nos a almoçar, no centro comercial da
    cidade. À mesa, a conversa gira sempre em torno do mesmo assunto:
    futebol. "Então e tu, onde é que jogas?" "Já não jogas? Mas por onde
    passaste?" "Vieste de Lisboa de propósito?" As perguntas vêm também na
    minha direcção. Respondo a meia-verdade, sem abrir demasiado o jogo.
    Joguei sete épocas no Real Massamá e não posso dizer que sou jornalista.

    De estômago cheio, voltamos ao centro de treinos do Trofense - isolado
    entre as árvores num monte junto à cidade - para o desafio seguinte.
    Desta vez somos divididos por três equipas de onze. Todas se defrontam
    em jogos de 30 minutos. Agora, sim, começa a ver-se quem pode ir longe.
    Na minha equipa, além do Sandro, estão mais dois jogadores que passaram
    pelo viveiro do Sporting: João Abreu e Ito. Ambos com 23 anos e sem
    clube, fizeram longas viagens (o primeiro de Lisboa, o segundo do
    Algarve) para chegar ali. Porque o sonho de ser jogador profissional
    ainda não morreu.

    Ainda assim, a Academia Betclic atraiu acima de tudo muitos jovens da
    Região Norte do país. Um deles foi o franzino Nélson Ferreira, de 21
    anos. A velocidade é a sua grande arma, que usa para impressionar a
    equipa de treinadores do Sindicato. Numa altura em que o cansaço começa a
    ser evidente, é dos jogadores que conseguem fazer a diferença. No
    entanto, não chegou para evitar as duas derrotas por 1-0 da minha
    equipa. "Tínhamos a melhor equipa", diz João Napoleão, o ponta-de-lança
    que até já tentou a sorte em Espanha, a caminho do balneário. "Como é
    possível perdermos os dois jogos?" Ninguém respondeu, porque não havia
    explicação. Talvez tenha sido o cansaço ou talvez não fôssemos mesmo a
    melhor equipa. Mesmo assim, dou os parabéns ao Nélson pela prestação.
    Sorri e conta-me que fez toda a formação no Merelinense. Quando subiu
    aos seniores o clube só queria pagar-lhe 100 euros por mês. "Preferi ir
    trabalhar para ajudar os meus pais."

    Depois do banho, o grupo de jogadores volta a reunir-se cá fora, à
    espera de nova decisão. Entretanto, o telefone de Nélson toca. Alguém
    quer saber se já há notícias. "Não, ainda estamos à espera", responde. A
    ansiedade é visível na cara de muitos. E aumenta quando os treinadores
    aparecem para anunciar a decisão: dos 35 candidatos passam 23. O nome de
    Nélson Ferreira faz parte da lista. O meu também. É hora de descansar,
    porque as pernas já nem sabem como andam e o dia seguinte vai ser ainda
    mais duro.

    O DIA D, DE DISPENSADO Não esperava seguir em frente. A exigência é cada
    vez maior e há vários jogadores com potencial neste grupo. Além disso,
    terça-feira marca a entrada em cena dos jogadores do Sindicato, os
    profissionais que estão desempregados. São 15 e vêm à procura do mesmo:
    um contrato que lhes devolva a estabilidade que perderam. O treino da
    manhã é ligeiro, sempre com muita bola. Depois repete-se a rotina do
    almoço no centro comercial. Mas desta vez há uma corrida à banca de
    jornais. Todos querem ver se aparecem e o que foi escrito. Às tantas
    apontam para mim e dizem: "Já viste? Também estás aqui, em três fotos.
    Brutal!" Simulo um ar orgulhoso e afasto-me.

    Quando começa o quarto treino da semana - o segundo do dia - as pernas
    parecem não querer responder. Além da luta contra o cansaço, surge outro
    desafio: jogar a defesa esquerdo e a central, posições às quais não
    estou habituado. O esforço não se traduz numa prestação impressionante e
    é sem surpresa que fico a saber que o meu nome não faz parte da lista
    de seleccionados para o último dia. O prémio de consolação é uma unha
    negra. E umas dores no corpo que ainda não desapareceram.


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